Não nasci lá e sim no norte de Minas Gerais porém, ainda criança nos mudamos para Ilha. Meus avós e tios já moravam lá a muitos anos.
Já imaginou o que é para uma criança que nunca saiu do interiorzinho de minas, numa época que nem padaria tinha no povoado onde morava, chegar em uma cidade que é uma ilha...
A sensação mais gostosa foi a de ver o mar pela primeira vez. Que lindooooo. Eu queria pular na agua ali mesmo, na balsa, antes de atravessar o canal (são 15 minutos de travessia) - claro que nao podia. Mas na primeira vez na praia, olhei para um lado, para o outro, certifiquei que não tinha ninguém me vigiando e pluft, enchi a mão de água e taquei na boca para ver se era salgada de verdade. É salgada, kkkk.
Assim começou minha paixão pela cidade. Sempre descobrindo um canto e outro: as inúmeras praias, as cachoeiras, as trilhas. O jeitinho do povo caiçara, o modo de falar dos mais antigos. Tudo era novidade. Escola, amigos, logo veio o trabalho.
O caminho para a escola era a beira mar, para o trabalho também. A maioria das aulas de educação físca eram feitas na praia da vila (centro). Só tenho boas recordações dessa época.
E no fim de tarde, ficava lá sentada no pier, observando o mar, o sol se pondo aos pouquinhos, se escondendo nas montanhas de São Sebastião.
A Ilha é a coisa mais linda do mundo. Morar ali é um privilegio mesmo. Quem conhece a cidade se encanta e nem mesmo os borrachudos são capazes de espantar os apaixonados pela ilha. Uma dose caprichada de citronela na pele e tudo bem.
Hoje, é claro, a cidade cresceu muito e desordenadamente, como a maioria das cidades brasileiras. Dá uma certa revolta ver as encostas tomadas pelas casas de granfinos, quanto mais rico, maior ostentação e pouco a pouco vão fechando a entrada para as praias, tornando-as particulares. Claro que todos sabem que não pode, mas com uma prefeitura que tapa os olhos enquanto abre a mão e vai liberando tudo, vamos percebendo que todo mundo está querendo um pedacinho da mata atlantica no fundo de casa. Mas não são eles apenas os ricos que estão destruindo a cidade não, são todos que ali moram e nao se conscientizam da importancia da preservação...
Agora vou lá apenas a cada dois meses ver minha mãe, sobrinhos, amigos. Já na chegada da balsa me deslumbro com a simplicidade daquele lugar, as verdes montanhas, o pico do Baepi. É um outro mundo. Para quem mora em Sao Paulo e só vê prédio e trânsito todos os dias, é uma massagem para os olhos. Eu digo que sempre vi a ilha com olhos de turista e por isso, mesmo morando lá por quase 20 anos jamais me acostumei com a sua beleza, não canso de admirar e vai ser sempre minha cidade.
Gosto da simplicidade de passar a tarde deitada na areia, embaixo de uma arvorezinha, gosto do aconchego e simplicidade da casa da minha mãe, de ouvir a balsa apitar, de comer hot dog prensado na vila, passear na rua do meio, nas lojas de artesanato. Dos almoços na casa da tia Mara, dos passeios com os sobrinhos, do banho de cachoeira e de mar (pra tirar a uruca). Gosto de tudo!
Agora vou deixar algumas fotos. Para quem nunca foi eu garanto: vale a pena. Se algum dia precisar, fale comigo porque tenho boas dicas de passeios, hotéis, restaurantes (trabalhei por dois anos na associação de hotéis, bares e restaurantes em parceria com a secretaria de turismo e receptivo local).



Este post faz parte da Blogagem Coletiva - Vida Simples da Mila.




















