Abrindo o jogo


Estava aqui lendo e comentando nos blogs depois de colocar a casa em ordem e me deparei com o post Coisas a confessar, da Nina, do Entre Mãe e Filha.
Queria muito dizer a Nina que ri e chorei com o post, porque me identifiquei. E por isso me inspirei a escrever este aqui. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece, a Nina tem este dom, de através dos posts dela, fazer com que eu confesse meus pecados, kkkk. Obrigada Nina.

Vocês já sabem a minha luta contra  a artrite reumatoide, as fases péssimas e os períodos de controle, enfim, não vou me prolongar muito nisso.
O fato é que eu, por muitas vezes  me peguei perguntando a DEUS porque eu tinha que passar por isso, o que eu fiz para merecer. E eu não aceitava, não entendia.
E me via fazendo comparações com criminosos, com pessoas que maltratam crianças e para mim, parecia muito injusto que eu, uma pessoa que nunca fiz mal a alguém, sofresse tanto com algo assim. E aos poucos fui vendo minha vida sendo minada, minha alegria ir embora, meu corpo se deformando pelas articulações inchadas, manquei por mais de ano, precisei pedir ajuda para as coisas mais básicas do mundo, o ponteiro da balança aumentar muitos quilos pelo uso de altas doses de cortisona.
E aí eu desabei, tudo parecia demais para o meu entendimento. E eu ia a igreja, e ouvia a homilia falando de resignação. E abria meu evangelho espírita e a palavra que eu encontrava era a mesma.

Foi difícil, foi extremamente doloroso, mas eu passei e tirei de tudo um grande aprendizado. E o maior deles, é que eu não estou sozinha e que há momentos que é preciso parar e deixar de querer entender. E preciso colocar na mão de Deus. Porque nós não sabemos de nada, porque o Amor Dele é tão grande e tão intenso, que só quando o aceitamos e colocamos a nossa vida em suas mãos é que a cortina da dúvida se dissipa. Deus é o maior consolo, a Fé é capaz de superar qualquer barreira e sentir o conforto do Amor de Deus nos abre os olhos para os nossos erros, nossos equívocos, por vezes ingênuos, mas que aos poucos vai 'nos moldando'.

A verdade é que no meio dessa batalha, eu comecei a ver a Luciene que eu era de fato, não a que eu acreditava ser.  E eu senti muita vergonha, muita vergonha mesmo.

Eu sempre fui hostilizada e praticamente 'desdenhada' por todos na minha infância, ao menos era assim que ocorria para mim. E criei uma proteção, e a minha proteção era me destacar em algumas coisas, que ao menos para minha família, representasse algo bacana. E comecei a me sentir superior, bancando a coitadinha e fazia questão de cuspir na cara de todos o quanto me fizeram sofrer.

Eu ainda não havia entendido que me ofereceram o que podiam oferecer, eram outros tempos, outros costumes, muitas dificuldades. Eu era egoísta, pequena, rasa. Me colocava em primeiro lugar, incapaz de entender o motivo dos demais.

Foi no meio da dor que as coisas se mostraram para mim como eram de fato. Deus abriu meu coração e  curou-o das muitas feridas e do rancor. E aprendi a ter compaixão pelo próximo, aprendi mais sobre o perdão, sobre FAMÍLIA. Foi um momento de resgate, de autoconhecimento. Aliás,  foi não, está sendo, porque depois disso, minha vida tomou outro rumo e prossegue assim.

E a sensação que tenho agora é que todos os meus passos levam para este aprendizado tão necessário.
Minha soberba, orgulho, minha crítica excessiva...ainda hoje recebo confissões de familiares sobre meu comportamento, que tenho pressa, urgência em corrigir, melhorar.

Pode ser que discordem de mim (ou não), mas acho que a dor é sempre uma forma de nos fazer enxergar ou repensar sobre a nossa vida. E hoje sou muito grata por tudo que passei, caso contrário, jamais teria percebido que era somente um espinho quando eu posso ser até mesmo uma rosa.

Se você chegou até o fim do texto, obrigada por sua paciência.
Um beijo
Lu Souza Brito

Tem alguém aí?

Alô, alô marcianos, aqui quem fala é da Terra.

Não cabe perguntar se tem alguém aí, já que quem saiu e não voltou fui eu, não é mesmo?
Os facebookianos eu vejo e tenho notícias, mas aiiiiii como ando com preguiça de escrever. Desaprendi.

Eita ano bom este ano de 2013 viu? Estou besta com tanto de vida que ganhei nesse ano. Uma força, energia, disposição, mudanças, que as vezes nem me reconheço.

Falta menos de 4 meses para o fim dele e não cumpri algumas promessas do ano passado. E quer saber? eu não estou nem preocupada porque aconteceram tantas outras coisas não prometidas, impensadas, que deixou bem equilibrado os outros desejos.

Minha saúde está estável, graças a Deus e ao tratamento, feito com cuidado e dedicação do profissionais do HC e minha conduta em fazer tudo certinho, respeitando as prescrições.

O processo de engorda / incha infelizmente não passou ainda. AINDA.  Teste de paciência dos grandes, porque querendo ou não, o que mais incomoda é o que os outros 'acham' ao ver a gente com cara de  bolacha. E mesmo com alimentação controlada, exercícios e tudo mais, parece que o 'trem' não sai da gente. A fome de somaliana já passou com a redução dos corticoides, mas ainda assim, segundo os médicos, estou com uma dosagem muito alta de medicação para me manter sem dor.

Lembrei da Aline que passava por aqui um tempo atrás. Ela também tem artrite e ficou bem com a Arava (leflunomida). Estou tomando este a 4 meses e fez um bem danado. Praticamente tirou as dores. Queda de cabelo e diarreia são alguns dos efeitos colaterais que senti, mas fazer o que?

Em junho participei de um fórum, recomendado pela Sonia (Borboleta Sominiando na Suécia) e fez uma diferença tremenda na minha vida. Me abriu os olhos, me mostrou quem eu sou, como pareço para os outros, enfim, o que eu sabia sobre mim, o que eu não sabia, o que eu não sabia que não sabia. kkkk
Ficou confuso? Falo mais outra hora, mas recomendo falar com a Sonia a respeito. Só digo uma coisa: VALE A PENA. Aliás, vale a galinha inteira (piadinha infame).

Viajei para Buenos Aires em agosto. Foi uma delicia e muito bem aproveitada. Conto mais depois.

Estudei bastante o semestre passado e agora dei uma pausa para gastar um pouco comigo. Claro que o estudo de outra lingua é um mega investimento em si mesmo, mas é que neste momento eu quero investir também em lazer, digo, viajar um pouco, curtir sem ficar olhando todo dia o orçamento familiar. Foram 5 anos de investimentos em casa, graduação do marido, etc. E infelizmente, para fazer uma coisa, é preciso abrir mão de outra. Semestre que vem eu retorno, sem neuras e sem culpa.

Estou assim, de bem com a vida, com o mundo. Vendo tudo por uma nova perspectiva. Sonhando mais e sabendo o que fazer para concretizar estes sonhos.
Eu sei que vocês entendem e não preciso me desculpar pela ausência. Sinto falta e todos aqueles que tem o Feed, eu recebo e leio por email os posts.
Adoro estar aqui, mas não vou prometer nada. Estou trabalhando a parte de cobranças, de outros e de mim mesma. Este é um espaço que me faz sentir bem, mas sem obrigações, não é assim?

Ganhei este Happy de presente de aniversário.

Vou visitá-los aos poucos. 
Um beijo
Lu Souza Brito