A caminho do trabalho, estou no mesmo vai e vem de milhares de pessoas. Hora para chegar ao trabalho, corre - corre. Ligo a moto, acelero, resmungo com os marcha -lenta, chego ao estacionamento, guardo os pertences, saio em disparada. Embarco no ônibus.... esta é a hora de maior espera, o percurso que poderia ser feito em 15 minutos, raramente é feito neste tempo.
É neste meio tempo (longo tempo), que me coloco a observar as pessoas. Ouví-las...
Coisas diversas. Fico ali no cantinho ouvindo. Tenho costume de sempre me sentar no mesmo lugar, mesmo lado. Dificilmente tenho uma cia para ir conversando. Melhor assim. Não gosto de muita conversa no ônibus quando mal acordei. Prefiro só ouvir.
Há dias que ouço histórias de amor escondido, ou sobre as ' baladas' do fim de semana. Outro dia tinha um moço triste, que levou 'um galho' daquela que ele considerava que poderia ser a futura esposa. A experiencia foi tão ruim que agora ele resolveu adotar a filosofia ' solteiro sempre, sozinho nunca'.
De um modo geral as pessoas gostam muito de comentar sobre tragédias. Melhor ouvir isso a ser surda, mas não é facil.
O que reparo é que cada um tem uma história, um modo de ver a vida e enfrentar seus problemas. Alguns de modo curioso. Sempre acho que quem está 'de fora' do problema, consegue enxergar a situação com mais clareza e encontrar uma solução mais lógica.
Daí penso nos meus problemas e tento imaginar, como as pessoas que convivem comigo os vê. Será que elas também acham que minha postura deveria ser outra? Se eles tem a solução, por que ninguém diz?
Quer saber o que eu acho de verdade? Se você estiver precisando ouvir 'poucas e boas', levar um sacode, colocar o pé no chão (há tantos ditados para dizer a mesma coisa), você terá que ir a uma terapeuta, psicóloga ou algo parecido.
Sabe porque? Porque mesmo os amigos de verdade não se sentirão confortáveis de dizer certas coisas. Ao menos não na intensidade necessária para te causar um choque, provocar uma mudança, coisa assim.
Dirão sim, mas como mãe que fala ao filho: " esta injeção vai doer um pouquinho, mas é para você ficar bem". Doçura!
Jamais dirá para uma amiga gorda que não esteja saudável: " para de se empanturrar de porcarias, porque assim você está se suicidando, porra!". Jamais. Estas coisas se comenta só pelas costas.
Acho que é assim no modo geral. Eu ouço as pessoas falando sobre suas vidas, com alguém que consideram de sua confiança. E aquele que tem a oportunidade de dar um conselho de verdade, de abrir o olho do outro para um defeito, uma atitude ruim, não o faz. Prefere passar a mão na cabeça, ser conivente, ser legal, a ser sincero.
É isso. Ás vezes acho que falta sinceridade neste mundo. As pessoas estão melindrosas, outras, falsas. Poe-se uma máscara de 'tudo se justifica'. Não é bem assim.
Talvez eu esteja exagerando. Talvez seja só a idade avançando que vai deixando a gente mais chata (dizem). A verdade é que ando numa inquietação, questionamento constante. E isso não é ruim. Minhas reflexões tem feito com que eu deixe a criancisse de lado e encare a vida com mais maturidade, responsabilidade. Hoje identifico melhor o meu papel no mundo, na minha família, com meus amigos. Por que ser só um ser passante, sem nada acrescentar para aqueles que te rodeiam não tem muita serventia, tem?
Eu analiso muito o comportamento das pessoas. Não costumo errar muito. Deve ser um defeito, com certeza o é, mas através desta análise eu me espelho para fazer minha própria identicação.
E nesta fase de refexões, tenho me livrado de antigas verdades.
OBS: ando uma blogueira ausente. OK que agora pratico o slow blog e não vou me sentir culpada por não estar presente com comentários em todos os blogues que gosto / sigo. Mas saiba que as leituras estão em dia. Só a questão do tempo para comentar, tals, que ás vezes falha.
Beijo carinhoso.
Obrigada por vir aqui.
Lu Souza Brito