Na fila, de uniformes impecáveis e olhares curiosos, dezenas de crianças se remexiam, ansiosas para entrarem em suas respectivas salas de aula e conhecer a professora. Estava entre elas.
Quando chegou o grande momento e a inspedora deu a autorização para tal coisa, saimos em marcha, devagar, com a primeira da fila segurando a mão da professora.
Onde sentar? Quem já era conhecido? O que iria ser feito? Podia pedir para ir ao banheiro? E se fizesse xixi na roupa? A professora (ou tia) era legal?
Quanta emoção. Quanta imaginação de como seria dali para frente.
Em casa fora alertada pela mãe que professores só gostavam de alunos bonzinhos e obedientes.
A professora se apresentou. O nome dela era Anésia. Meiga, gentil, carinhosa. Pediu a cada um que se apresentasse e antes mesmo que começasse a 'aula', cantamos a música Charleston, da Turma do Balão Mágico:
"Mamãe o meu sapatinho, era tão novinho... foi o Charleston."
A sala estava toda decorada com desenhos, figuras de animais, plantas, crianças. E meus olhos percorriam curiosamente tudo aquilo, vasculhando cada detalhe, me sentindo importante em estar ali e saber que aprenderia a ler e escrever. Ah, como seria bom pegar um livro e saber o que estava escrito. Eu já folheava as 'cartilhas' das minhas irmas, mas não entender o que dizia era muito frustrante.
Nenhuma das crianças sabiam ler ou escrever neste período. Eu já conhecia o alfabeto e algumas palavras, ensinado por minhas irmãs mais velhas. E era ótima em decorar poesias.
A 'Tia Anésia' então, escreveu na lousa a primeira poesia que decorei e depois aprendi a ler:
As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas e
Pretas
Brincam na Luz
As Belas Borboletas
Borboletas Brancas
São Alegres e Francas
Borboletas Azuis
Gostam muito de Luz
As Amarelinhas
São tão bonitinhas
E as Pretas então...
Ó, que escuridão.
Só depois soube que era um poema de Vinicius de Moraes. Naquele dia, a única coisa que me importava era aprender (decorar) a poesia e recitar em casa. Fiquei encantada, apaixonada por ela, repetindo-a a cada momento. Acho que isso explica o meu encantamento até hoje pelas borboletas.Este post faz parte da blogagem coletiva Amor aos Pedaços (Fase I - Encantamento).
Beijos a todos
Lu Souza Brito
UPDATE: Peço desculpas aos participantes da blogagem que vieram prestigiar a minha participação e ainda não pude retribuir. Assim que o acesso melhorar por aqui eu vou visitar cada um de vocês.

Eu amei este livro e hoje a caminho do trabalho, ainda reli alguns trechos. Fala sobre a dor de um pai ao ter sua filha desaparecida, com evidencias de assassinato brutal e os seus questionamentos com Deus após este acidente. Algum tempo depois ele tem a oportunidade de estar na cia de Deus e ali todas as suas feridas são abertas e ele começa a compreender seu sofrimento. Um livro com uma maneira nova e atraente de falar do Amor de Deus por nós. Como nós o enxergamos e como ele realmente é. Para mim, foi uma experiência muito válida e me fez refletir acerca de muitas coisas.




Imagem: Renato Ventura









